158 O MEU NORTE E O SEU NORTE - Aos 16 anos, fui convidado para caçar no Mato Grosso. Mateiro, matreiro e especialista em área rural como me considerava, segui uma cerca por orientação, para poder voltar. Cometi dois erros: Um deles, "fui" até o meio dia, sol a pino, não contei com o cansaço da volta; o outro, acostumei-me com a cerca a minha esquerda e afastei-me um pouco. Ao meio dia, tentei voltar para a cerca, azar o meu; logo após me afastar, a cerca mudou de direção. Restava-me o sol, andei a manhã toda com o sol as minhas costas, seria só seguir a direção contrária. No final da tarde exausto, assustado e com o sol já posto, deparei-me com o rio Cabeceiras. Sabia que era só atravessá-lo, estava na direção certa. Só não sabia se a pinguela era rio abaixo ou acima. Topei com um veado parcialmente devorado por uma onça, ela havia comido a paleta e coberto-o com gravetos. Estava fresquinho! A "bicha" estava por perto, quem sabe me observando. Meu pânico era tanto que um inambu, ao dar um "voão" perto de mim, com seu característico "truuuu" de asas, me fez puxar os dois canos da 12 belga: nem carcaça sobrou, somente restaram penas! Estava me lembrando do cachorro, chamado cachorro, morto ali mesmo na semana anterior quando acuou uma onça numa árvore. O vaqueiro deu-lhe oito tiros de 22, ela despencou. O cachorro avançou. No último suspiro, com as últimas forças, ela deu lhe um tapa que o deixou com a cabeça presa ao corpo apenas por uma pele. Passar a noite no escuro ao lado de uma onça!? Estava sem fósforos ou lanterna, mas logo encontrei a pinguela e ouvi tiros de orientação.

Nada é eterno, não confie no seu norte como sendo infalível, imprevistos existem. Conheço uma moça que tem, há sete anos, a pensão gorda do ex-marido como eterna, torra tudo, não investe, não faz um curso! Não conta que ele possa falir ou falecer.

Imprevistos acontecem, sabia!?

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Conhecer a história de um homem que teve a vida destruída por ex-mulher que implantou falsas memórias nos filhos.

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